Adelaide de Sousa desabafa: "Parte-me o coração ter que me separar do meu filho"
A apresentadora, de 40 anos, tenta aproveitar ao máximo os últimos dias ao lado de Kyle, de três meses, uma vez que vai regressar aos ecrãs da SIC Mulher já este mês.
Passaram três meses desde a última entrevista de Adelaide de Sousa e Tracy Richardson à CARAS. Na altura, a apresentadora e o marido mostraram pela primeira vez o filho, Kyle, que ainda não tinha completado a sua primeira semana de vida, e falaram do pânico que viveram nos dias que antecederam o parto, em que tanto a mãe como o filho chegaram a correr perigo de vida devido à opção de ter um parto natural em casa. "Essa entrevista gerou muita polémica, houve muitas acusações, muita gente a julgar sem saber exactamente o que é que se tinha passado, e não foi uma altura muito simpática. O primeiro mês a seguir ao parto foi muito agitado e penoso, não foi fácil para nós", admite Adelaide, que acabou por superar os momentos traumáticos com a ajuda do bebé: "O facto dele ser tão pequenino e de precisar tanto de nós ajudou-me a sair do passado e a olhar para a frente, que era o que eu precisava de fazer."
Voltámos a marcar encontro com esta simpática família e, por coincidência, acabámos a sessão fotográfica num dos quartos da Pousada de São Filipe, em Setúbal, que foi este ano o Castelo da CARAS, precisamente o mesmo onde o casal havia ficado hospedado no início da sua relação, há sete anos. "Parece que se passaram séculos, porque sofremos muitas transformações desde então. Mas é engraçado estar a fazer uma produção no mesmo quarto em que estivemos no início do nosso casamento. Traz recordações e, se calhar, até uma certa nostalgia, porque todos os casais olham para o início da relação de uma maneira um bocadinho nostálgica. Nessa fase, a descoberta é quase uma constante, é tudo muito mágico, bonito e perfeito. Portanto, é engraçado fazermos aqui esta produção com o nosso filho. Acho que tem qualquer coisa de poético. E foi o fechar de mais um ciclo", assegura Adelaide.

Adelaide de Sousa - Pois é, quando há uma criança nova na família, as pessoas lembram-se de novo o que é o Natal... Eu vou tentar, primeiro que tudo, que as pessoas não o inundem de presentes, porque é desnecessário e acaba por estabelecer precedentes para o futuro. Mas de certeza que voltamos a ter imensa vontade de fazer tudo como manda a tradição.
- Sendo católicos, deve ser uma data que vivem com uma particular emoção?
- Julgo que, para quem acredita que houve um Salvador que veio ao mundo, é uma maneira de nos relembrarmos uns aos outros daquilo que nos foi oferecido, daí a tradição das prendas. Temos também a responsabilidade de nos lembrarmos do verdadeiro espírito de Natal, de não entrar em gastos excessivos, em compras loucas. Nós estipulámos que prendas são mesmo só para as crianças. Aos adultos damos presentes mais criativos. O ano passado, por exemplo, oferecemos presentes cujas receitas revertiam para a Cruz Vermelha.
|
Tracy Richardson - Não. Quando era pequeno, gostava imenso do Natal, mas quando comecei a perceber que tudo se limitava a fazer compras... As pessoas ficavam malucas, a minha família enlouquecia nesta época, toda a gente se punha a comprar imensas coisas! O Natal nos EUA é o Pai Natal, os presentes e as compras. Por isso, ainda antes de ter chegado a Portugal, decidi deixar de comemorar o Natal assim. Passei a ir à igreja nesse dia e a combinar um jantar sossegado com um amigo. Quando conheci a Adelaide, percebi que ela não dava presentes e eu estava proibido de lhos oferecer nessa altura! Por isso, entre nós, Natal é estar com a família, e eu adoro passá-lo aqui em Portugal, com a família da Adelaide, que é muito divertida.

Adelaide - Estou a tentar não pensar muito nisso, pois acho que vai ser muito difícil para mim. Agora já é complicado ter que o deixar para fazer um ou outro trabalho mais pequeno que vou aceitando. Ele é tão pequenino e tão dependente de nós... Custa-me imenso, parte-me o coração ter que me separar dele. Bem sei que, para mim, vai ser sempre cedo de mais. Mas tem de ser. Se calhar vamos tentar minimizar essa separação, levando-o comigo para o estúdio, desde que o pai lá possa estar, e ficam à minha espera durante aquela hora que dura o programa. Apesar de tudo, será uma transição um bocadinho mais suave, e talvez consigamos fazer isso até ele ter seis meses.
- Nessa altura tenciona pô-lo num infantário?
- Não, deverá ficar em casa. Se a nossa vida, em termos de horários e disponibilidade, continuar como está, não há razão nenhuma para o pôr antes dos três anos num infantário, que é a idade a partir da qual os pediatras dizem que já sentem falta de socializar.

Tracy - [risos] Um destes dias estava sentado no sofá com o Kyle e a televisão estava ligada num canto da sala. Ele virou a cabeça em direcção à televisão e ficou com 'aquele' olhar na cara, como se tivesse desaparecido para dentro da televisão. Mais tarde, estava ao computador, e reparei que ele estava virado para o ecrã com o mesmo olhar. Fiquei assustado, a pensar: ele é uma pequena esponja que vai absorver tudo o que vir e ouvir. Fui para a cama aterrorizado. De repente apercebi-me da nossa responsabilidade: não posso tê-lo sozinho a ver televisão ou computador. Temos que ser realmente pais, não podemos ser pais em part-time, daqueles que deixam os filhos ver o que quiserem. Isto foi um exemplo de como ser responsável por ele pode ser assustador. Um episódio engraçado aconteceu a semana passada: dei por mim na cozinha, a reparar que o chão estava cheio de pêlos do cão, que havia imensa louça e roupa por lavar, os dois gatos não paravam de miar, o bebé estava a chorar porque precisava que lhe mudassem a fralda e a Adelaide não estava em casa. Fiquei desesperado! Tudo o que queria era ligar para o 112 e pedir uma equipa de babysitters! Acho que nos devíamos mudar para uma pousada destas durante uns meses, até ele fazer 20 anos, porque é muito trabalho para os pais!
- Sentia-se preparada para este cenário?
Adelaide - Não, é muito mais difícil do que pensava, porque, de facto, a atenção nesta fase é constante, os filhos absorvem-nos imenso e nós também nos deixamos absorver. Não estava preparada para o nível de exigência de um bebé. A parte boa é poder estar com ele ao colo, dar-lhe de mamar e ficarmos a olhar um para o outro, isso é uma delícia. Acho que são estes momentos que acabam por nos alimentar quando ele não pára de chorar e nós não sabemos porquê, quando estamos com sono e só nos apetece dormir e sair dali a correr, em que tudo é um desespero e a casa está virada do avesso. Acho que, pela primeira vez, vou ter que encontrar uma empregada doméstica, porque não conseguimos lidar com tudo.

- O stresse e o cansaço acumulado não ajudam, de facto. Acho que qualquer casamento tem esses momentos logo a seguir ao nascimento de um bebé. Há muitas coisas que são postas em causa entre o casal, e as oportunidades para se criarem tensões entre um e outro são imensas. Não é à toa que a privação de sono é um tipo de tortura proibida segundo a Convenção de Genebra, mas ainda não é aplicada em nossa casa... ainda somos torturados dessa maneira nos lares do mundo inteiro. [risos] É claro que há momentos em que é muito difícil lidar com isto tudo, mas são uma minoria, não são a generalidade do relacionamento. O que acaba por ser estranho entre o casal nestes primeiros meses a seguir ao nascimento de um bebé é já não nos conhecermos enquanto homem e mulher, mas sim como pai e mãe. De repente transformamo-nos, e há que conseguir ver por cima das fraldas o homem por quem nos apaixonámos, o que não é fácil. É preciso uma grande força de vontade e um trabalho muito activo para não nos esquecermos que aquele pai foi o homem que escolhemos para amar.
|
Tracy - A palavra sexy passou a ter outra definição, deixou de ter a ver com lingerie. Eu vi o bebé chegar ao mundo, acompanhei todo o processo até ele nascer... Agora, o mais importante passou a ser o plano familiar e não o andar de um lado para o outro a dizer que a minha mulher é linda porque tem um penteado fantástico e as unhas estão sempre impecáveis. É mais do que isso. Depois de ter visto o bebé nascer, e de ter segurado na mão da Adelaide durante todo o processo de parto, apaixonei-me pela minha mulher de uma forma diferente, muito mais profunda. E ser sexy pode ser muito superficial e estúpido. É divertido, mas isto que estamos a viver é real.

Adelaide - Mantém-se, apesar de agora, por causa da cesariana, ter mesmo de esperar dois anos para voltar a engravidar. Se tiver outro bebé, será quando o Kyle fizer três anos, o que não é um intervalo mau de todo. A única coisa que me preocupa é que já tenho 40 anos e os anos 'úteis' já não são assim tantos... mas é um desejo que tenho, até porque não o queria filho único.
- Como tem sido a adaptação às novas rotinas?
Tracy - Eu já consigo distinguir os vários choros dele: se quer comer ou quer o colo da mãe, se está cansado ou quer atenção. No SAMS, o hospital onde ele nasceu, vi uma foto de um bebé junto a um violino, e este processo faz-me lembrar essa foto. Cuidar de um bebé é como aprender a tocar um instrumento: primeiro temos que perceber como funciona, para depois sabermos tocá-lo. Está a tornar-se cada vez mais fácil ser pai, não é assustador como pensava que iria ser.
- Percebe-se que está muito feliz. Algum dia imaginou constituir uma família assim?
- Quando pensamos nas responsabilidades, percebemos que é um mundo assustador. Antes de decidirmos que queríamos ser pais, tínhamos medos e receios, não queríamos desistir de nada, mas estávamos a perder tanto... e nunca o poderíamos saber antes de darmos este passo. Só quando temos o bebé ao nosso colo é que percebemos quão incrível é. Há momentos difíceis, sim, mas há tanta coisa formidável que nasce dentro de nós depois de um bebé vir ao mundo!
Tracy Richardson e Adelaide de Sousa: Encantados com Kyle, querem mais filhos
Adelaide de Sousa volta ao trabalho, mas leva Kyle consigo para o estúdio
Adelaide de Sousa revela: "O que me faz mais falta é dormir sem interrupções"
Adelaide de Sousa abre o coração e fala do pânico que viveu durante o parto
Adelaide de Sousa já foi mãe
Adelaide de Sousa na expectativa de conseguir ter um parto natural
Adelaide de Sousa aguarda feliz, mas expectante, a chegada do primeiro filho
Adelaide de Sousa: "Se tudo correr bem, vou trabalhar até ao final da gravidez"
Adelaide de Sousa já escolheu o nome do bebé











Ainda bem que chegou, antes tarde.......